Sobre automatismo e tudo ao mesmo tempo

Prestar atenção às coisas cotidianas pode parecer óbvio, mas não é. Já me peguei fazendo muitas coisas no ‘modo automático’ e às vezes não me lembro se fiz ou não alguma coisa. Falo de se esquecer se trancou o carro quando está há 1 km dele e atrasado, ou se lembrou de tirar a frente do rádio do painel, ou qualquer outra coisa. Temos abas demais abertas na vida e é difícil aproveitar o momento. São muitos compromissos, coisas para comprar e para pagar, e trabalhar para ter dinheiro para pagar estas coisas que queremos usar até que algo mais novo, mais legal, mais caro apareça.

A ideia é: Faça uma coisa de cada vez e faça bem feito.

Esse é o segredo.

Domingo

E o domingo está passando, são 17 horas agora. Amanhã é segunda e tudo recomeça.

O ciclo de faculdade, estágio, faculdade, contas pra pagar, almoço correndo, faculdade, estágio, trânsito, posto de gasolina, estacionamento, contas pra pagar, pressa, faculdade, estágio e  por aí vai. A vida corre solta e com pontas voando. O risco da falta de controle iminente é muito cansativo. Qualquer risco constante é cansativo, se não qualquer constante é cansativa. Nos reinventamos ou nos acostumamos. Tenho problemas em me acostumar, sempre há uma sensação de tensão, uma falta ou uma sobra. O equilíbrio, difícil de conseguir está teimando em não aparecer. Torna-se uno com o universo é algo mais complicado que pensei a princípio.

Melhor não desistir e seguir seguindo… (redundâncias a parte).

Página inicial

Me peguei pensando hoje sobre a minha página inicial no navegador. Em cada computador que uso, cada navegador que abro, sempre está lá, com aquele fundo brando, letras coloridas e uma convidativa e perigosa caixa de texto sugerindo que você sempre quer saber alguma coisa. Minha página inicial é a pesquisa do google já há muito tempo. Não me lembro do que era a página inicial antes do google (sim, eu vivi na internet sem google, usando diretórios do yahoo e cadê para encontrar sites). 

Me pergunto por quê não posso usar este meu blog como página inicial. A primeira resposta óbvia que vem à minha cabeça é que se eu escrevi eu não preciso ler. O que está aqui já passou por mim, por minha ‘autoridade’ de avaliação e criação. Então, o que me resta é o outro, a produção de outra pessoa. Assim o google vem como a porta de entrada para a possibilidade, virtualmente me levando a qualquer informação que eu queira. 

O problema nesta constante busca (trocadalho do carilho) é que ela é tão constante e insatisfatória. Não vou entrar na questão de que o google indexa uma parte muito pequena de toda a informação na rede das redes. Mas, olhando por um ponto de vista mais humanizado (não era bem essa palavra que queria), essa sede de saber tudo, ou melhor, de parecer saber é, de certa forma, angustiante. Não nos completa, não nos satisfaz por completo. Só o desejo temporário é alimentado e nunca saciado, somente acalmado até que a próxima busca se faça presente, a próxima caixa de texto apareça na nossa frente e nos convide a buscar por qualquer coisa, por mais bobagem que seja.

E estas bobagens nos desviam de questões realmente sérias.